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Como instalar um carregador coletivo para carros elétricos no condomínio?

Como instalar um carregador coletivo para carros elétricos no condomínio?

Uma alternativa para condomínios que ainda estão começando na mobilidade elétrica

Imagine um condomínio com 100 apartamentos e apenas 3 moradores com carros elétricos.

Instalar um carregador exclusivo em cada vaga provavelmente não seria a solução mais eficiente.

Mas isso não significa que o condomínio precise esperar a frota elétrica crescer para começar a oferecer infraestrutura de recarga.

Uma alternativa cada vez mais interessante é criar uma estação de recarga coletiva, compartilhada entre os moradores.

Em vez de cada apartamento possuir um carregador próprio, o condomínio disponibiliza um ou mais pontos de recarga em uma área comum, com regras de utilização, controle de acesso e, quando necessário, cobrança individualizada.

Mas como esse sistema deve ser planejado?


O que é um carregador coletivo?

Um carregador coletivo é uma estação de recarga instalada em uma área de uso compartilhado do condomínio.

Os moradores utilizam o equipamento conforme a necessidade, seguindo as regras estabelecidas pelo condomínio.

Dependendo da solução escolhida, o sistema pode permitir:

  • Identificação do usuário;
  • Controle de acesso;
  • Reserva de horários;
  • Medição individual;
  • Cobrança por energia consumida;
  • Cobrança por tempo de utilização;
  • Limitação de potência;
  • Gerenciamento de múltiplos veículos;
  • Monitoramento remoto.

A ideia é transformar a recarga em um serviço compartilhado, em vez de criar uma instalação independente para cada morador.


Por que um condomínio escolheria um carregador coletivo?

Existem várias situações em que esse modelo pode ser interessante.

Poucos veículos elétricos

Se apenas alguns moradores possuem veículos elétricos, uma infraestrutura compartilhada pode atender à demanda sem exigir dezenas de equipamentos.

Condomínio sem infraestrutura preparada

Em edifícios existentes, pode ser mais simples criar inicialmente uma área específica de recarga do que levar uma infraestrutura individual até diversas vagas.

Vagas sem possibilidade de instalação

Algumas vagas podem apresentar dificuldades técnicas relacionadas a distância, circulação ou infraestrutura elétrica.

Uma área coletiva pode concentrar os equipamentos em um local mais adequado.

Expansão gradual

O condomínio pode começar com poucos carregadores e aumentar a capacidade conforme a quantidade de veículos elétricos crescer.


Carregador coletivo não significa simplesmente colocar um carregador na garagem

Esse é um ponto importante.

Uma instalação coletiva precisa ser pensada como um sistema de infraestrutura, e não apenas como a instalação de um equipamento.

É necessário definir:

Onde instalar?

Quem poderá utilizar?

Como será feita a identificação?

Quem pagará pela energia?

Qual potência estará disponível?

Quantos veículos poderão carregar simultaneamente?

Como será feita a expansão?

Como a instalação será desligada em uma emergência?

Essas perguntas devem ser respondidas antes da compra do carregador.


Passo 1: avaliar a infraestrutura elétrica do condomínio

O primeiro passo é verificar se existe capacidade elétrica suficiente para atender a nova carga.

Essa avaliação deve considerar:

  • Entrada de energia;
  • Transformador;
  • Disjuntor geral;
  • Quadros elétricos;
  • Alimentadores;
  • Demanda atual;
  • Demanda máxima;
  • Histórico de consumo;
  • Curva de carga;
  • Sazonalidade;
  • Cargas existentes;
  • Carregadores já instalados;
  • Crescimento futuro.

Não basta olhar para a potência nominal do transformador.

Um condomínio com transformador de 300 kVA, por exemplo, não necessariamente possui 300 kVA disponíveis para novos carregadores.

É preciso entender quanto da capacidade já está sendo utilizada e em quais horários ocorre o maior consumo.


Passo 2: analisar a demanda ao longo do dia

Imagine um condomínio cuja demanda máxima acontece entre 18h e 22h.

Esse é justamente um período em que muitos moradores chegam em casa e poderiam conectar seus veículos.

Se todos os carregadores iniciarem a recarga simultaneamente, a demanda do condomínio poderá aumentar significativamente.

Por isso, a análise deve considerar a interação entre:

consumo do condomínio + consumo dos veículos elétricos.

Esse estudo pode indicar a necessidade de utilizar um sistema de gerenciamento de carga.


Passo 3: definir AC ou DC

O próximo passo é definir qual tecnologia de carregamento será utilizada.

AC

É normalmente a alternativa mais interessante para uso residencial.

São comuns carregadores de:

  • 3,7 kW;
  • 7,4 kW;
  • 11 kW;
  • 22 kW.

Como o veículo pode permanecer estacionado durante várias horas, não é necessário utilizar uma potência extremamente elevada.

DC

O carregamento DC pode ser interessante quando existe necessidade de recarga rápida.

Por exemplo:

  • Condomínios de alto padrão;
  • Uso compartilhado intenso;
  • Visitantes;
  • Veículos de alta utilização;
  • Frotas;
  • Situações em que o tempo de permanência é curto.

Para a maioria dos condomínios residenciais, entretanto, o AC tende a ser mais adequado para a rotina.


Passo 4: escolher o local do carregador

A escolha do local é uma das decisões mais importantes do projeto.

O ponto de recarga deve ser analisado considerando:

  • Distância até o quadro elétrico;
  • Facilidade de passagem dos cabos;
  • Acesso dos veículos;
  • Circulação;
  • Ventilação;
  • Proteção contra impactos;
  • Iluminação;
  • Drenagem;
  • Manutenção;
  • Rotas de saída;
  • Sistemas de segurança contra incêndio.

Além disso, a instalação precisa considerar os requisitos aplicáveis da IN 23 do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC).


IN 23 do CBMSC: o que o condomínio precisa observar?

A IN 23 regulamenta os locais com Sistemas de Alimentação para Veículos Elétricos (SAVE) em Santa Catarina.

Ela estabelece requisitos de segurança contra incêndio para instalações de recarga em diferentes tipos de edificações.

Entre os aspectos que podem impactar o projeto estão:

  • Localização dos SAVE;
  • Distâncias em relação às rotas de saída;
  • Sistemas de desligamento;
  • Sinalização;
  • Características da garagem;
  • Sistemas de proteção contra incêndio;
  • Condições da edificação;
  • Requisitos específicos para imóveis existentes e preexistentes.

Por isso, o local do carregador não deve ser escolhido apenas pensando na facilidade de passar o cabo.

A segurança da edificação também precisa fazer parte da decisão.


Passo 5: definir como será o acesso dos moradores

Um carregador coletivo precisa ter algum mecanismo de controle.

Caso contrário, surge rapidamente uma situação problemática:

> Quem pode utilizar o carregador?

Algumas alternativas incluem:

RFID

O morador utiliza um cartão ou chaveiro para iniciar a sessão.

Aplicativo

O usuário acessa o carregador por uma plataforma digital.

QR Code

O usuário escaneia um código e inicia a sessão.

Integração com sistema condominial

Em soluções mais avançadas, a autenticação pode ser integrada ao sistema de gestão do condomínio.

O importante é que o sistema consiga identificar quem utilizou a infraestrutura.


Passo 6: definir como será cobrada a energia

Essa é provavelmente uma das maiores preocupações do síndico.

O condomínio não deve simplesmente pagar a conta de energia e deixar o custo da recarga ser absorvido por todos.

Existem diferentes modelos.

Cobrança pelo consumo

O usuário paga pela quantidade de kWh utilizada.

É um dos modelos mais transparentes.

Cobrança por sessão

O condomínio estabelece uma tarifa fixa ou mínima para cada utilização.

Cobrança por tempo

O usuário paga de acordo com o período de utilização.

Esse modelo pode ser útil para incentivar a liberação da vaga após o término da recarga.

Inclusão na taxa condominial

Pode ser adotada em alguns modelos, embora exija uma definição clara das regras de rateio.

A melhor alternativa depende do modelo operacional definido pelo condomínio.


Passo 7: instalar medição individualizada

Sempre que possível, o sistema deve permitir identificar o consumo de cada usuário.

Imagine:

Morador A → 22 kWh

Morador B → 14 kWh

Morador C → 31 kWh

Dessa forma, é possível calcular quanto cada usuário deve pagar.

Isso evita conflitos e aumenta a transparência da operação.


Passo 8: implementar gerenciamento de carga

Esse pode ser o grande diferencial de uma infraestrutura coletiva.

Imagine que o condomínio tenha:

10 carregadores × 7,4 kW = 74 kW

Isso não significa que o condomínio precise disponibilizar 74 kW continuamente.

Um sistema de gerenciamento pode distribuir a potência disponível entre os veículos.

Por exemplo:

  • 2 veículos → maior potência;
  • 5 veículos → potência distribuída;
  • 10 veículos → potência compartilhada.

Além disso, o sistema pode considerar o consumo do próprio condomínio.

Se a demanda do edifício aumentar, a potência destinada aos carregadores pode ser reduzida.

Quando a demanda cair, os veículos podem receber mais potência.


O carregador não precisa operar sempre na potência máxima

Esse conceito é importante para explicar o funcionamento do gerenciamento de carga.

Um carregador de 7,4 kW pode operar com:

7,4 kW

5 kW

3 kW

ou outra potência definida pelo sistema e pelas características do veículo.

Dessa forma, a infraestrutura consegue aproveitar melhor a capacidade elétrica disponível.


Passo 9: pensar na expansão desde o início

Um dos maiores erros é dimensionar o sistema apenas para os veículos elétricos existentes hoje.

Imagine um condomínio com:

3 veículos elétricos atualmente.

Talvez três carregadores sejam suficientes hoje.

Mas e daqui a cinco anos?

Se a infraestrutura elétrica e física não tiver sido planejada para expansão, cada novo carregador poderá exigir:

  • Nova passagem de cabos;
  • Novas obras;
  • Alterações nos quadros;
  • Novos projetos;
  • Novas adequações.

Uma estratégia melhor é criar uma infraestrutura principal preparada para expansão.

Assim:

Hoje: 2 carregadores

Depois: 5 carregadores

Futuro: 10 carregadores

sem precisar reconstruir todo o sistema.


Carregador coletivo precisa de vaga exclusiva?

Não necessariamente.

Existem diferentes modelos de operação.

Vagas exclusivas para recarga

São as mais simples de administrar.

Enquanto estiver carregando, o veículo permanece na vaga.

Vagas rotativas

A vaga pode ser utilizada por diferentes moradores conforme a necessidade.

Nesse caso, é importante estabelecer regras claras sobre:

  • Tempo máximo;
  • Liberação após o término da recarga;
  • Reserva;
  • Penalidades;
  • Prioridade.

Carregador compartilhado em área comum

O condomínio pode criar uma área específica para recarga, semelhante a uma pequena estação de carregamento privada.

Esse modelo pode ser especialmente interessante para condomínios que ainda possuem poucos veículos elétricos.


E se o veículo já terminou de carregar?

Esse é um problema operacional que precisa ser previsto.

Imagine um morador conectando o veículo às 20h.

Às 23h, a bateria já está carregada.

Mas o carro continua ocupando a vaga.

Outro morador precisa utilizar o carregador.

Por isso, o sistema pode utilizar regras como:

  • Tempo máximo de permanência;
  • Notificação ao usuário;
  • Cobrança adicional após o término da carga;
  • Sistema de reservas;
  • Priorização de usuários.

A tecnologia pode ajudar, mas o condomínio precisa estabelecer as regras de utilização.


Quem deve pagar pela infraestrutura?

Não existe uma única resposta.

O condomínio pode adotar diferentes modelos.

Modelo 1 — Condomínio financia a infraestrutura

O investimento é tratado como melhoria da infraestrutura coletiva.

Modelo 2 — Usuários financiam

Os moradores interessados dividem os custos.

Modelo 3 — Infraestrutura coletiva + carregador individual

O condomínio prepara a infraestrutura principal e cada usuário paga pelo seu equipamento.

Modelo 4 — Operação terceirizada

Uma empresa instala e opera a infraestrutura, cobrando dos usuários pela utilização.

A decisão deve ser tomada pelo condomínio de acordo com sua convenção, regras internas e aprovação necessária em assembleia.


Quais equipamentos fazem parte da instalação?

Um sistema coletivo pode envolver muito mais do que o carregador.

Dependendo do projeto, podem ser necessários:

  • Carregador;
  • Quadro elétrico;
  • Disjuntores;
  • DPS;
  • DR, quando aplicável;
  • Contator ou dispositivos de seccionamento;
  • Sistema de gerenciamento;
  • Medição;
  • Cabos;
  • Eletrodutos;
  • Leitos;
  • Sistema de aterramento;
  • Proteção mecânica;
  • Sinalização;
  • Comunicação de dados.

Todos esses elementos precisam ser dimensionados de acordo com a instalação.


E a segurança?

A instalação deve seguir as normas técnicas e os requisitos de segurança aplicáveis.

Entre as referências relevantes estão:

  • ABNT NBR 5410 — Instalações elétricas de baixa tensão;
  • ABNT NBR 17019 — Instalações elétricas de baixa tensão — requisitos para instalações em locais especiais destinados a sistemas de alimentação de veículos elétricos;
  • ABNT NBR IEC 61851 — Sistema de recarga condutiva para veículos elétricos;
  • IN 23 do CBMSC — Locais com Sistema de Alimentação para Veículos Elétricos.

Além disso, o equipamento utilizado deve possuir as certificações e conformidades aplicáveis.

A instalação também deve ser executada por profissionais habilitados.


Quanto custa um carregador coletivo?

Não existe um valor único.

O custo depende principalmente de:

  • Potência do carregador;
  • Quantidade de pontos;
  • Distância até o quadro;
  • Infraestrutura existente;
  • Necessidade de novos quadros;
  • Necessidade de aumento de carga;
  • Sistema de gerenciamento;
  • Medição;
  • Obras civis;
  • Características da garagem.

Um carregador barato instalado em uma infraestrutura inadequada pode acabar custando mais do que uma solução corretamente planejada desde o início.

Por isso, o orçamento deve considerar o sistema completo, e não apenas o preço do equipamento.


Um exemplo de solução para um condomínio

Imagine um condomínio com:

120 apartamentos

e atualmente:

4 veículos elétricos.

Em vez de instalar quatro sistemas completamente independentes, o condomínio poderia criar:

  • Infraestrutura elétrica principal;
  • 2 carregadores AC compartilhados;
  • Sistema de identificação por usuário;
  • Medição individual;
  • Gerenciamento de carga;
  • Reserva de capacidade para expansão.

Conforme a frota aumenta, novos carregadores podem ser adicionados.

Assim:

4 veículos hoje → 10 veículos → 20 veículos

sem necessariamente refazer toda a infraestrutura.


Checklist para instalar um carregador coletivo

Antes de iniciar a instalação, o condomínio deve verificar:

  • A capacidade elétrica foi avaliada?
  • Existe estudo de demanda?
  • A curva de carga foi analisada?
  • A sazonalidade foi considerada?
  • O local atende aos requisitos aplicáveis da IN 23?
  • A infraestrutura elétrica foi dimensionada?
  • Foi definido AC ou DC?
  • Existe sistema de gerenciamento de carga?
  • O consumo será individualizado?
  • Existe controle de acesso?
  • Foram definidas regras de utilização?
  • Foi definido quem pagará pela energia?
  • Existe planejamento para expansão?
  • A instalação possui projeto elétrico?
  • Os equipamentos atendem às normas aplicáveis?
  • A instalação será executada por profissional habilitado?

Conclusão

Instalar um carregador coletivo pode ser uma excelente alternativa para condomínios que estão começando a adotar a mobilidade elétrica.

Em vez de criar uma infraestrutura individual para cada morador, o condomínio pode concentrar os investimentos, compartilhar os equipamentos e utilizar tecnologia para controlar acesso, potência e consumo.

Mas o sucesso da solução depende de um bom planejamento.

Antes de escolher o carregador, é necessário entender:

quanto de energia o condomínio possui disponível, onde o equipamento poderá ser instalado, como os moradores irão utilizá-lo e como a infraestrutura irá crescer nos próximos anos.

A combinação de estudo de demanda + projeto elétrico + gerenciamento de carga + medição individual + regras de utilização permite criar uma solução mais segura, eficiente e escalável.

E, em Santa Catarina, o projeto também precisa considerar os requisitos da IN 23 do CBMSC para locais com sistemas de alimentação de veículos elétricos.

O condomínio não precisa instalar um carregador para cada morador.

Precisa criar uma infraestrutura que permita que todos tenham acesso à recarga quando precisarem.

Se o seu condomínio está começando a receber solicitações de carregadores, o primeiro passo é avaliar a infraestrutura existente e definir qual modelo de recarga faz mais sentido para o empreendimento.

Uma solução coletiva bem planejada hoje pode ser a base para dezenas de veículos elétricos no futuro.

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